terça-feira, 21 de setembro de 2010

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No azul menos pálido e menos azul, que se espelha nos prédios, entardece um pouco mais a hora indefinida. Cai leve, fim do dia certo, em que os que crêem e erram se engrenam no trabalho do costume, e têm, na sua própria dor, a felicidade da inconsciência. Cai leve, onda de luz que cessa, melancolia da tarde inútil, bruma sem névoa que entra no meu coração. Cai leve, suave, indefinida palidez lúcida e azul da tarde aquática – leve, suave, triste sobre a terra simples e fria. Cai leve, cinza invisível, monotonia magoada, tédio sem torpor”


 - Fernando Pessoa -

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Primavera soprando um caminho mais feliz
Mais feliz
Mais feliz 




terça-feira, 14 de setembro de 2010



Ora veja… é o que sempre acontece às pessoas românticas: enfeitam uma criatura, até o último momento, com penas de pavão, e não querem ver, nela, senão o que é bom, muito embora sentindo tudo ao contrário. Jamais querem, antecipadamente, dar às coisas o seu devido nome. Essa simples idéia lhes parece insuportável. A verdade, repelem-na com todas as forças até o momento em que aquela pessoa, engalamada por elas próprias, lhes mete um murro na cara”
 



                                                                                                                 Fiodor Dostoiévski

sábado, 11 de setembro de 2010

Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e, se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?

                                                                                              (Caio Fernando Abreu)

domingo, 5 de setembro de 2010

O teu silêncio.!




"... E eu chorei um oceano inteiro essa noite. Eu precisava esvaziar"  ( Caio F. Abreu )








“E essa ausência de você, essa saudade absurda que vem não sei de onde e que cresce a cada dia mais e me tira a razão, e me tira o sono.


E não é aquela saudade boa de sentir, que nos faz rir pelo canto da boca quando toca “aquela’’ musica no radio ou quando nos encontramos casualmente em uma esquina qualquer, é uma saudade que fere, machuca – que causa dor na alma da gente, que tira o brilho dos olhos.

E mesmo com toda essa dor ainda insisto em você, insisto em não querer enxergar o que é tão evidente... que mesmo com toda essa dor – com toda esta saudade de nós dois o telefone não irá tocar...Nem pra dizer adeus, porque não precisa de palavras pra dizer que acabou, este teu silencio que tanto me incomoda é o suficiente... já diz tudo.!”

(Naina Quirino)